Relato Guaraqueçaba – O Retorno do Retorno

RELATO GUARAQUEÇABA – O RETORNO DO RETORNO – 2014/20/09

Em janeiro de 2014, o Wesley, a Mara, o Ademir e eu encaramos o trajeto com temperatura de 40° a 45° graus, calor que causava delírios, ainda me recordo da bica d´água, onde a “doninha roubou a bandana do Ademir”, também da estrada que não estava ruim, estava péssima. Mas, como desconhecemos esse sentimento que nos motiva a fazer coisas que nos fazem sofrer, que desafia nossos limites, decidimos encarar “O Retorno”. Em fevereiro com mais amigos e com um desafio ainda maior iniciamos a árdua pedalada. Alguns, os mais fortes, Wesley, Ademir, Vera, Rogério, Sergio e o Anselmo começaram pedalar na praça de pedágio e com muita chuva, desceram pela BR 277 até o parque Cacatu, onde os demais, Mara, Flavia, André, Wesley Junior, João Lucas, Silvane e eu começamos a pedalar.
A chuva caia torrencialmente, mas tínhamos um objetivo a cumprir, partimos com muito entusiasmo, os meninos Wesley Junior e João Lucas eram os mais motivados, pois seria o primeiro pedal deles com tamanha dificuldade, e como seria bom contar essa proeza para os amigos.
Mas o inesperado aconteceu, como sempre ouvimos – “fazemos nossos planos, mas Deus tem outros planos para nós”. Já no inicio, nos primeiros 10 km a carretinha da van, que transportaria as bikes na volta, quebrou, providencias para consertar de imediato, nem pensar, não havia plano “B”. Decidimos prosseguir com a bagagem que conseguíssemos levar, somente o necessário, enquanto isso o motorista da van buscaria uma solução.
O grupo aos poucos foi se dispersando, mas ao chegar ao bar da Corina, ponto estratégico, onde tem uma coxinha deliciosa de aipim, esperamos os demais. Foi ali que descobrimos que “O Retorno” não teria o fim que esperávamos, as chuvas continuavam torrenciais e haviam provocado enchentes, quedas de árvores e as pontes estavam submersas, nem nós com as bikes, nem a van sem a carretinha conseguiria passar. Alguns, a Mara, a Vera e eu ainda pensamos em continuar, mas fomos desencorajadas pelos demais, na verdade ficamos frustradas, mas é preciso saber a hora de desistir, e saber que alguns riscos não são necessários. Voltamos, e a chuva continuava, durante o percurso passamos a observar os estragos, em alguns trechos havia deslizamentos de terra com árvores, os rios saindo do leito, com água próximo ao nível das pontes. Ao chegar ao Cacatu nos deparamos com o rio transbordando, e uma cena muito triste, um morador da região nos relatou que estava pescando e quando percebeu as águas estavam arrastando seu carro rio adentro, não teve alternativa, só lhe restou observar a cena.
Cansados, encharcados e com fome precisávamos de suporte, banho, colocar roupas secas e alimentação, até que finalizassem o conserto da carretinha que ainda estavam em andamento. A Flávia e o André conheciam melhor a região de Antonina e nos levaram para uma lanchonete onde havia um chuveiro, onde todos, com paciência, tomamos banho, e lá nos serviram uma refeição, simples mas deliciosa. Enquanto esperávamos tivemos o prazer de apreciar um bom vinho que o Sergio havia levado, foi uma experiência totalmente diferente. Nossos planos iniciais não deram certo, mas por outro lado, houve uma harmonia entre o grupo e ficou claro que a experiência valeu a pena, e que certamente teríamos a chance de fazer o “Retorno do Retorno”.

Setembro 2014, dia 20, temperatura amena, previsão chuva, para os otimistas como o Wesley não iria chover, a torcida era grande para um dia ensolarado, mas não era o que a previsão dizia.
Às 06:00h, no ponto de encontro, a casa da Vera, começamos a nos movimentar para colocar as bikes na carretinha. Desta vez contávamos com alguns, sem ofensas, “iniciantes”, a Cassiane, a Katia e o Claudemir que nunca haviam feito um pedal longo, com nível avançado, sem falar nas crianças, Wesley Junior e João Lucas, talvez necessitassem maior atenção durante o trajeto. Tempo bom até então, sem chuva, van quase lotada, não fosse duas baixas, o que nos deixou com certa preocupação, “premunição” na verdade. O André e a Silvane sentiram-se mal e não foram, nossas mentes férteis associaram àqueles acidentes de avião quando as pessoas se salvam porque algo de errado se passou com elas…divagação a parte…, seguimos com o relato.
Ás 09:00h chegamos ao Cacatu, bikes prontas, desta vez a carretinha ficou no parque. O Sr. Elizeu, mesmo motorista de “O Retorno”, iria nos acompanhar com a van equipada com um transbike para somente três bicicletas, por precaução, dificilmente alguém iria preferir estar na van a pedalar. Os primeiros km em asfalto foi moleza, logo alcançamos a estrada de chão, que mostrava sua cara, foi então que o passeio começou de fato. O Claudemir, foi quem viu bem de perto essa realidade, sofreu uma queda no inicio da estrada. A técnica para concluir o passeio sem maiores problemas se resume em cuidados, não é um passeio qualquer, é Guaraqueçaba, qualquer um pode ir. Mas para concluir é necessário concentração, resistência física e psicológica e cuidados, muitos cuidados. Nas subidas para não lesionar, nas descidas para não se perder, as curvas não são projetadas para manter você na estrada…  . Com alguns esfolados e dores no quadril, pois havia caído em terreno pedregoso, o Claudemir foi forte e prosseguiu pedalando.
Próximo ao km 11, iniciamos uma das subidas mais duras, tivemos a colaboração da van para salvar umas das moças, “a qual”, se ficasse para trás, a onça ia pegar! – Né Cassiane? Esclarecendo – esse é um método motivacional que usamos para iniciantes. 
Os meninos, Wesley Junior e o João Lucas estavam mantendo um ritmo muito bom, a Lillian e o Anderson se mostravam experientes, a Flavia que recentemente pedalou no Caminho de Santiago de Compostela, mais de 840 km, estava com preparo excepcional. Me preocupava um pouco a Katia, o Claudemir e a Cassiane, com os demais, a Vera, Wesley, Mara, Ademir e Anselmo não havia motivos para preocupação, a não ser que houvesse algum imprevisto.
Na sequencia iniciamos um trecho que parecia um zig zag, um sobe e desce que parecia nunca acabar, por volta das 11:00 h chegamos ao bar da “Corina”, o grupo estava dividido, porém o intuito não era desmotivar os menos velozes, e logo nos alcançaram. Depois de saborear a famosa coxinha de aipim ao molho de pimenta com palmito, prosseguimos. Tínhamos planejado passar em Salto Morato, não podíamos perder muito tempo, mesmo entre os mais experientes só a Vera conhecia o local. Aos 40 km chegamos a Tagaçaba, tínhamos mais uma serra pelo caminho, a “Serra Negra”, a Cassiane perguntou se a subida era pesada, delicadamente, para não assustá-la, respondi que pelo nome era possível correlacionar, se fosse estilo “light” talvez se chamasse “Serra Branca”!
Vencer a subida da Serra Negra era o foco agora, mas quando a Flávia, a Katia e eu estávamos na metade da subida ouvimos o Anselmo e o Ademir, que estavam acompanhando a Cassiane, pedirem ajuda, pensamos – o que poderia ter ocorrido? Teria a onça comido a Cassiane?… – Não…, foi somente a corrente da bike do Anselmo que quebrou, e ele foi obrigado, muito contra a vontade a encarar uma carona de van, claro houve um certo “bulliyng” com está situação.
Como sempre os mais treinados chegaram primeiro no topo da Serra, nós ainda paramos na bica d´água para nos refrescar um pouco. Mirante à vista, todos juntos, inclusive o Sr. Elizeu subimos no mirante para apreciar a vista, muito prazeroso ver aquela imensidão de mata virgem e ao longe, a baia, o céu estava limpo, muitos clicks e, até àquele momento ainda não chovia. Embora a previsão fosse de chuva, o Wesley continuava afirmando que não iria chover.
Como em todos os pedais longos a estratégia é focar em trechos específicos, a nossa próxima parada seria em um bar na esquina da rua que segue para o Salto Morato, 10 km após o mirante. Percorremos o declive mais acentuado com muitas pedras, eu quase perdi o rumo, alguns de nós, mesmo com as irregularidades do terreno, atingimos velocidade próxima dos 60 km/h, arriscado, mas muito emocionante.
Em pouco tempo estávamos na entrada do Salto Morato, ainda eram 16:30h, tiramos fotos, andamos no parque, apreciamos a queda d´água. Alguns além de apreciar com os olhos resolveram experimentar, tomaram banho naquelas águas limpas e transparentes, adultos que pareciam crianças, muita diversão, e a água gelada ajudava a recompor os músculos cansados.
Mais ou menos uma hora depois retornamos para estrada, tínhamos ainda 15 km pela frente, parecia pouco, mas depois de tudo que havíamos pedalado, era mais um desafio. Chegamos à pousada ainda era dia, A Mara, a Lillian, o Anderson, a Flavia e eu chegamos primeiro. O Anderson soltou a bike tirou a sapatilha e o capacete e mergulhou na piscina, em seguida chegaram os dois meninos, Wesley Junior e João Lucas que fizeram o mesmo. Conforme foram chegando os demais também foram caindo na piscina, a recompensa era merecida depois do esforço empenhado, curtir e relaxar era uma necessidade.
E a chuva que não veio, mas a previsão era de chuva! Pedal finalizado já não fazia diferença se iria ou não chover. Depois do banho, em traje de passeio fomos a pé para o centro de Guaraqueçaba, neste momento houve certa divergência no grupo, uns queriam ir de van, outro a pé – né Ademir? – e outros ainda, andando… rsrsrs! Fomos à maioria a pé, e alguns andando, e reclamando. No restaurante decidimos comer pizza, exceto o João Lucas, pediu um prato comercial que deixou todos nós com água na boca, depois de passar o dia todo com barrinhas, mel, água de coco, coxinhas, pão – àquela parecia ser a refeição dos deuses, arroz, macarrão, batata frita, feijão, filé, salada, hummm!!… a pizza até perdeu o sabor. E todos nós cometemos o pecado de cobiçar a refeição da criança, só o Anselmo que não passou vontade !
Passados alguns minutos, e não foi que a chuva chegou, com raios e trovões, ficamos no escuro, acabou a energia da cidade inteira. E eu sabia que ia chover, a previsão estava correta, mas tivemos muita sorte, enquanto esperávamos a preparação da pizza o Sr. Elizeu buscou a van, e depois de alimentados voltamos confortavelmente para a pousada. A maioria seguiu rumo à cama, mas a Flávia, a Cassiane e a Katia ainda tiveram disposição para apreciar um bom vinho que a Flávia havia trazido da Espanha, fiquei com vontade, mas faltou coragem para sair na chuva.
Domingo, 07:00 h já havia movimento na pousada, 07:45 me levantei e o café já estava na mesa. Por volta das 09:30h fizemos um passeio por Guaraqueçaba, claro de bike, o dia colaborava, céu de brigadeiro e temperatura agradável, fotos e mais fotos, cada um com sua alma de fotógrafo realizou-se com as mais belas paisagens que a natureza pode oferecer.
A manhã passou rápido, almoçamos e logo iniciamos a preparação para a volta. Como a carretinha não seguiu até Guaraqueçaba, tínhamos que levar as bikes de barco até Paranaguá. O Ademir, o Anselmo, a Mara, o Wesley e o Wesley Junior seguiram de van, mais ou menos 4 horas até Paranaguá. Enquanto isso, o João Lucas, a Vera, o Claudemir, a Katia, a Cassiane, a Lillian, o Anderson, a Flavia e eu fomos de barco para cuidar das bikes e apreciar o passeio, o dia estava favorável para este passeio, foram quase três horas de barco. Nós chegamos a Paranaguá antes, e creio, com mais conforto do que na van. Encerramos o passeio em torno das 19:30 h no mesmo ponto de partida, na casa da Vera, cansados, felizes e satisfeitos e com muita história para contar. Realizamos mais do que nossas expectativas, foi melhor do que imaginávamos que pudesse ser, com mais pessoas não houve tanto sofrimento. As distrações, piadinhas, histórias, companheirismo e parceria tornou o que seria sofrimento em prazer. Juntos tudo fica mais fácil, descobrimos que até para escalar morros de bicicleta podemos ser parceiros!
O passeio foi um sucesso, sabemos do empenho que é para organizar um passeio em grupo, também a realização e contentamento quando tudo ocorre conforme planejado! – Wesley Souza parabéns e obrigada por essa realização compartilhada com todos nós que fomos personagens desta história!
#tamojuntosempre #BikePinhais

By Rosângela Luciani

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